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HIV/Aids: 90% dos casos são de mulheres em relacionamento estáveis

Com o auditório do Polo da Universidade Aberta do Brasil (UAB) lotado, Votuporanga realizou ontem o seu 1º Seminário sobre DST/Aids – Saúde na Mulher Negra, promovido pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Coordenação Municipal DST/Aids, órgão vinculado à pasta municipal de Saúde.

O secretário de Direitos Humanos, Flávio Liévana, explicou que este é uma série de eventos que a pasta irá promover no decorrer do ano. “Nós agradecemos a parceria com o Setor de Atendimento Especializado (SAE) e Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra (CPDCN)”, disse.

O evento também contou com as participação da articuladora do programa DST/Aids em São José do Rio Preto, Zulmira da Rocha Meireles, que destacou a importância de trabalhar nesse segmento. “Votuporanga deu pontapé no contexto de vulnerabilidade e racismo institucional de exclusão. Existem problemas no contexto de acolhimento, principalmente à mulher negra”, afirmou.

A assistente social e mestra em Direitos Humanos, Angelita Alves Toledo, foi a palestrante convidada do evento e discursou sobre a incidência do vírus da Aids na mulher negra, mais propensa à contaminação devido a fatores socioeconômicos. “A mulher nessa condição apresenta maior vulnerabilidade em contrair a doença, estando sujeita ao menor grau de escolaridade, baixa renda mensal, condições precárias de ocupação e moradia, entre outros fatores que interferem diretamente no acesso aos serviços de saúde e receber informações corretamente, assim como pegar preservativos e se cuidando melhor com relação a doença.”

Apesar dos índices serem maiores em mulheres negras e pardas, Angelita esclarece que os dados nada têm a ver com a raça. “É importante frisar que esta é uma questão socioeconômica e não de cor. Estamos preocupadas em alertar sobre a importância do diagnóstico e desmistificar o preconceito de que HIV é para homossexuais e profissionais do sexo.”

A palestrante ainda ressalta que muitos casos de contaminação da doença acontecem com mulheres em relacionamentos estáveis. “Nós ainda vivemos em uma sociedade machista, em que as mulheres são mais passiveis, mais românticas e os homens são mais infiéis. Cerca de 90% dos casos são de mulheres que possuem maridos ou namorados, que acreditam que isso não vai acontecer com elas.”

Outra parcela a sociedade que vem contraindo cada vez mais o vírus são os adolescentes. “O Brasil está na contramão, enquanto nos outros países a Aids diminuiu 30% em adolescentes, no Brasil ela aumentou 50%. Como eles não acompanharam o auge da Aids, essa geração mais jovens não tem tanto medo. Já vi casos de meninas que contraíram a doença em sua primeira relação sexual, por achar que ter relações sexuais sem camisinha é uma prova de amor.”

Para ela, o que falta é a realização de mais campanhas de conscientização contra a doença. “As campanhas só acontecem em 1º de dezembro, no Dia Mundial de Combate à Aids,  e na época do Carnaval. Nós só ouvimos falar na necessidade do uso do preservativo nessas datas.”

A coordenadora do programa DST/Aids de Votuporanga, Léa Cristina Bagnola, traçou o perfil epidemiológico da Aids. De acordo com os dados apresentados, a taxa de mortalidade da doença no Brasil é de 6,1 óbitos por 100 mil habitantes. Os casos no estado de São Paulo já chegaram a 68.186 mil, deste, mais de um terço são da raça negra.

“Em Votuporanga, a maior incidência de pessoas que contraíram o vírus são em pessoas brancas. Apenas nos meses de maio e junho, nós já notificamos cinco novos casos da doença na população HSH, que são  gays e outros homens que fazem sexo com homens.”

 

HIV/Aids

A Aids é uma doença sexualmente transmissível causada por um vírus chamado HIV(Vírus da Imunodeficiência Humana) que destrói as defesas do organismo. Por este motivo a pessoa infectada pelo HIV fica sujeita a adquirir doenças graves que são chamadas oportunistas.

Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.

Os primeiros sintomas são muito parecidos com os de uma gripe, como febre e mal-estar. Por isso, a maioria dos casos passa despercebido. Os sintomas mais comuns são: febre persistente; cansaço e fadiga; erupção cutânea; perda de peso rápida; diarreia que dure mais de uma semana; dores musculares; dor de cabeça; tosse seca prolongada e lesões roxas ou brancas na pele ou na boca.

O acompanhamento médico da infecção é essencial, tanto para quem não apresenta sintomas e não toma remédios (fase assintomática), quanto para quem já exibe algum sinal da doença e segue tratamento com os medicamentos antirretrovirais, fase que os médicos classificam como Aids.

Nas consultas regulares, a equipe de saúde precisa avaliar a evolução clínica do paciente. Para isso, solicita os exames necessários e acompanha o tratamento. Tomar os remédios conforme as indicações do médico é fundamental para ter sucesso no tratamento.

Prevenção à infecção

A Pós-Exposição Profilática (PEP) é um tratamento de 4 semanas com doses diárias de medicamentos (em forma de pílula) contra o HIV, que pode reduzir as chances de infecção após a exposição ao vírus. O PEP deve ser iniciado dentro de 72 horas, após a exposição ao vírus.

No caso de um possível contato com o vírus HIV, busque, o quanto antes, um serviço de saúde. Esse primeiro atendimento é considerado de urgência porque o uso dos medicamentos deve começar o mais cedo possível, pois, quanto antes for iniciado, melhores são as chances dos medicamentos funcionarem.

A população de gays, outros homens que fazem sexo com homens e travestis é uma das populações que tem preferência no acesso a esse atendimento de urgência, visto a proporção de pessoas com HIV neste segmento populacional ser superior àquela da população geral.

Mariana Biork

André Takahashi

 

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