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Como sou infeliz

por Orlando Ribeiro:

 

“Ninguém me ama, ninguém me quer…”, verso de uma antiga canção gravada, se não me engano, por Maysa (a Matarazzo, não aquela do SBT), parece que tem virado lema de milhares de pessoas, principalmente nas redes sociais. É um tal de “acordei triste”, “porque me sinto infeliz?” e “não tem lugar para mim nesse mundo”, que a gente, só de ler, já entra em estado depressivo, talvez maior até do que o sujeito(a) que postou o comentário.

Vocês já viram um bebê depressivo? Um recém-nascido (exceto quando vítima de alguma enfermidade) apático, patético, aparvalhado? Claro que não e sabem por quê? Porque a gente, ao nascer, chegamos cá neste mundo de alma aberta, entregues, confiantes na Providência e em nossos pais. Não sabemos de nada ainda, nada conhecemos, e, então, sorrimos para os “bilus bilus” sem motivo algum. Estamos ali: sem dentes, sem saber andar, nem falar, mas abrimos nossos bracinhos para os gestos de carinho e damos gostosas risadas, que são alegria dos vovôs babões. Então, por que é que, após alguns anos, a gente se transforma em pessoas sofridas, amargas, infelizes?

Muitos dirão que a vida é que nos deixa assim. Os sofrimentos que os OUTROS nos trazem, as doenças que DEUS nos envia, as posses que o TEMPO nos tira. Ou seja, tudo o que não vem ou que dependem de nós. Aquela criança tão simples e tão contente se transforma em uma criatura infeliz, que perdeu toda a graça de viver, que perdeu de vista a leveza e beleza da vida. A filosofia nos ensina que nascemos puros; a Bíblia diz que fomos criados “simples e ignorantes”. Como Adão e Eva antes da maçã, nascemos crianças felizes e realizadas em nós mesmos, sem ódio, nem raiva, sem desejos ou lembranças doloridas. Somos simplesmente o momento presente. Quando dá sono, dormimos; na hora da fome, choramos e mamamos, se nos estimulam, respondemos com risos e caretas e só. Uma felicidade gratuita, que não vem presa a convenções ou padrões. Aí, crescemos, acumulamos conhecimentos, partilhamos conceitos e, em meio a essa riqueza de informações, vamos ficando mais pobres de pureza e, como o casal bíblico depois da maçã, perdemos a simplicidade original. Nos tornamos tão prolixos, cheio de condicionantes, atulhados de normas, condutas, memórias, complexos, regras. Essas coisas que o mundo exterior nos traz. Dormimos em paz e acordamos aprisionados, plenos de medos (de perder o emprego, de não passar na prova, de se apaixonar pela pessoa errada etc.), e acabamos por olhar no espelho e não conseguir encontrar o nosso eu original, vendo apenas a imagem que o mundo parece ter construído para nós.

Então, ficamos divididos. Céu e inferno dentro da gente, sentimentos se misturam, emoções se confundem. Já não sabemos mais quem e o que somos. Onde a criança linda, pura, simples, confiante, entregue e em paz que fomos? Não, ela não morreu. Procuremos. Essa criança original é a única coisa de verdade na nossa vida. O resto foi inventado pelo mundo. Não deixemos nossa essência se perder,  confundida em uma imensidão de coisas falsas, que o mundo nos enfiou como verdadeiras, mas que nunca foram. Errados, pecadores, inferiores! Não, não e não. Não somos isso, não compremos essa infelicidade que querem nos “vender”. Somos a vida, não pode haver “derrotado” na natureza, porque ela não dá valor a ganhar ou perder. Somos todos importantes por que somos únicos. A criatura divina que há em nós se comove, se humilha, se desfaz, mas também é capaz de se recompor, se reconstruir e se realizar. Por isso, não podemos cair na armadilha das histórias da infelicidade. Felicidade não se aprende, É! Quem busca o sol, não precisa de lâmpada.

Orlando Ribeiro

Técnico do Executivo na Prefeitura de Votuporanga, mestre de cerimônias na Cerimon y All, especializado em cerimoniais de casamentos, debutantes e eventos corporativos

No Twitter: @orribe e endereço eletrônico:

orlando.leitor@gmail.com

 

 

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