Powered by free wordpress themes

Home / Opinião / Quando

Powered by free wordpress themes

Quando

Por Orlando Ribeiro:-

Confesso que, quase chegando aos sessenta, inda não aprendi a me comportar direito em velórios. Até que melhorei bastante, pois já contei piada, discuti futebol, reclamei de governo, falei da inflação e até de programas de televisão. Hoje, pelo menos, faço uma prece junto ao caixão e dou um abraço nos familiares. O problema é quando a gente chega ao lado do marido, filha, esposa ou irmão do falecido. Confesso: fico sem ação, quero me mostrar forte, invulnerável, como se pudesse passar essa sensação para a pessoa e, com isso, suavizar a sua dor. Faço isso, mesmo sabendo que estou errado, que o certo é abrir o coração, deixar que ele também se parta um pouco, como partido está o coração de quem perdeu um ente querido. Ajo assim, embora acredite que devo que inclinar-me ante a fragilidade do amigo, diante mesmo uma falta de respostas às perguntas que, talvez, ele me fará, dentre elas a fatídica: “Por quê?”.

O certo não é mostrar-se forte e sim, tentar sentir sua tristeza, partilhar seus medos, suas frustrações. Não adianta querer bancar ser um super homem. Ninguém quer saber disso, eles querem apenas um ombro amigo, um abraço caloroso e um olhar do tipo “conte comigo”. É difícil ver as pessoas que estimamos, sentindo dor. É realmente difícil.
Quero contar que, certas vezes, até me sinto meio sem ar, parece que, meio sem querer, prendo a respiração. Quero consolar, dizer um monte de palavras, de textos sábios sobre perdas e consolações, todo aquele manancial de conhecimentos que a doutrina que professamos nos explica sobre a espiritualidade, sobre o além-túmulo. Mas, que nada, entro mudo, faço minha prece junto ao corpo, dou a mão aos familiares e saio calado, sem dizer nada. No máximo, um “pois é!”.

Eles não precisam de meu sofrimento, precisam de minha solidariedade. Ninguém necessita de dois sofrimentos, um é mais que suficiente. Preciso entender que é preciso que ofereça minha presença naquele momento, com meu coração completamente aberto. Não preciso falar, mas é imperioso que escute. Não devo tentar fazê-lo sorrir, porém preciso chorar com a pessoa. Mostrar que estamos juntos naquele lúgubre lugar. Isso, entretanto, não significa que não é minha tarefa salvá-lo, curá-lo, nem eliminar sua dor, pois que isso depende dele, depende de Deus, depende do Universo. Quem sou para saber o que é melhor para ele? Na ânsia de ajudar, posso oferecer respostas equivocadas. Cada um de nós está no curso de uma viagem. Eu tenho a minha, o meu amigo tem a dele. Não, não é egoísmo, meu dever, neste instante de dor, é apenas o de ser amigo, jamais o salvador. Às vezes, ao contrário dos nossos anseios grandiosos, fazendo menos, podemos irradiar mais…

Orlando Ribeiro

Técnico do Executivo na Prefeitura de Votuporanga, mestre de cerimônias na Cerimon y All, especializado em cerimoniais de casamentos, debutantes e eventos corporativos

No Twitter: @orribe e endereço eletrônico:

orlando.leitor@gmail.com

 

Além disso, verifique

Tempo para todas as coisas

Por Olga Balbo Ferreira Fontes:- Considerando os tempos difíceis em que vivemos, poder levar uma …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *