Powered by free wordpress themes

Home / Política / O achamento do Brasil

Powered by free wordpress themes

O achamento do Brasil

por Orlando Ribeiro –

Desde os meus tempos de escola, tenho convivido com a versão descabida de que o Brasil foi descoberto ao acaso. Dizem até que foi por isso, por terem errado o caminho das Índias e aportado no Brasil, que os portugueses acabaram ficando com a pecha de não serem lá muito inteligentes, constituindo-se na personagem principal das piadas que abordam burrices e asneiras. Confesso que nunca acreditei muito nessa histórias, até porque o sangue lusitano corre em minhas veias, única herança dos meus avós Agostinho e Emília; por isso, não me agradava a atitude de alguns coleguinhas que viviam me chamando de português, com aquela pontinha de cinismo nos lábios. Mas, minha desconfiança se dava por outros motivos, dentre os principais o fato de que todos os portugueses que conhecia, inclusive meus avós, eram bem inteligentes, empreendedores, dinâmicos e bonachões. Além disso, pesquisando a história, sabe-se que os conterrâneos de Camões eram hábeis navegadores, num tempo em que as embarcações eram verdadeiras obras de artesanato, sem GPS ou computadores de bordo. Na esquadra de Pedro Álvares Cabral, estavam Bartholomeu Dias e Nicolau Coelho, dois experientes pilotos, sendo que o primeiro foi o descobridor do Cabo da Boa Esperança, enquanto o segundo comandou parte da frota de Vasco da Gama na descoberta do caminho das Índias. Cá entre nós, como diria o Marquinhos Dóres, alguém, em sã consciência, acredita que dois experientes lobos-do-mar se deixariam levar pelos ventos traiçoeiros das costas africanas e aportariam numa terra localizada no lado contrário de seus mapas de navegação?

Por isso, acredito que a balela toda que se contou em torno do fato foi por que, tal qual nos dias de hoje, naquela época também deveria existir o tal de “sigilo político”, visto que era imperativo que se mantivessem em segredo as descobertas marítimas, para não perder-se o direito sobre elas. Aliás, na famosa carta de Pero Vaz de Caminha, o escriba da frota utiliza-se, algumas vezes, do termo “achamento” ao invés de “descobrimento”. Na faculdade, aprendi que “achamento é uma ação praticada por quem antes procurou”, quer dizer, o Brasil foi um achamento, isto é, foi encontrado aquilo que de antemão já se sabia existir. Outro fato que sempre me intrigou é que os índios brasileiros, segundo a  missiva de Vaz de Caminha ao Rei, receberam os navegadores portugueses com muita alegria, trocaram presentes na praia (inclusive, as bugras com as “vergonhas” de fora), uma verdadeira confraternização de velhos amigos. Mas, e os antropófagos? Os canibais? Será que eles já não conheciam os visitantes? Por fim, o argumento cabal: se o Brasil só seria descoberto pelos meus antepassados em 1500, por que é que Portugal assinou o Tratado de Tordesilhas seis anos antes, em 1494? É pouco provável que El Rey aceitasse uma divisão com a Espanha, sem saber se teria alguma coisa do seu lado. Existem muitas outras evidências históricas que, a meu ver, retratam com majestosa serenidade, que nosso país não surgiu fruto do acaso ou dos ventos benfazejos de  Oceano Atlântico. Invocando o personagem de Bolanõs, a descoberta do nosso país deve ter sido mesmo um “sem querer, querendo” e, ao ver o ouro chegando às pencas da sua colônia, El Rey deve ter aberto as janelas do seu palácio em Lisboa e gritado a plenos pulmões, voltando o corpo para a Espanha e resto da Europa: “Não contavam com a minha astúcia”. Pensando bem, a gente deveria parar de contar piada de português, não acha, caro leitor?

Além disso, verifique

Rolandinho Nogueira recebe Voto de Congratulação

Por uma iniciativa do vereador Meidão o empresário de Votuporanga Rolandinho Nogueira recebeu na ultima …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.