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Pai Nosso

Orlando Ribeiro*

Não creio que haja alguém que seja 100% ateu. Naqueles momentos em que a porca torce o rabo, quando olhamos em derredor e não enxergamos viva alma para nos auxiliar, por certo, um pensamentozinho deve fugir da nossa incredulidade e buscar uma Consciência Maior, um poder Criador. O que talvez estejamos confundindo com ateísmo é a nossa incapacidade de reconhecer a existência e “falar” com Deus. Por isso é que quando os apóstolos pediram a Jesus, que os ensinasse a orar, ele não recorreu a nenhuma das Escrituras que conhecia decor e salteado, como se diz por aí. Não lhes falou dos salmos de Davi ou de qualquer outro dos livros do Antigo Testamento. Criou para seus seguidores, dos quais somos os sucessores, uma oração singelz, mas fez questão de adverti-los para que rezar deve ser um diálogo familiar com Deus e não um conjunto de palavras mágicas, o que era muito comum aos pagãos de então, como os gentios que repetiam longas ladainhas como, se para serem atendidos, precisavam de muito falatório. Se você acredita num ser superior, Ele sabe muito bem do que necessitamos, antes mesmo de nossas rogativas, com os joelhos plantados no chão.

E aí, nos dá o Pai-Nosso, que não é uma fórmula mágica, mas apenas um roteiro sobre como deve ser nosso diálogo com a Divindade. Não pode ser um poema para ser decorado e repetido mecanicamente, como os tempos verbais que precisávamos memorizar na escola. Tudo já começa na invocação, quando o chamamos de Pai Nosso e não só Meu Pai, advertindo de que somos todos da mesma família; depois, fala que Ele está nos Céus. Mas, não é a um lugar material que o Mestre se reporta, mas ao ponto de encontro das pessoas humanas com o Divino, um imenso campo espiritual para que possam existir interações amorosas o tempo todo, onde a gente descubra que Deus vem ao nosso encontro sempre a partir de dentro, por isso o ponto de encontro de Deus com a gente é o nosso próprio coração.

Ao ensinar o “Pai Nosso” aos discípulos, Jesus quis mais do que propor uma oração para nossos momentos de dor e de incertezas, mas desejou mostrar o quanto que Deus está perto de nós, como o pai que, não importa onde esteja seus filhos, está sempre perto quando necessário. Quando afirmamos “Pai Nosso” com veracidade, na realidade é como se reconhecêssemos que seremos tanto mais filhos de Deus, quanto mais conseguirmos ser irmãos uns dos outros, que é nosso dever trabalhar em prol de uma família universal, sem guerras, sem disputas, sem terrorismos. Quando entendermos que no Céu de Deus todos amam, a alegria brotará em todos os corações, assim “na terra como no Céu”. Ensinou que só precisamos do pão de cada dia, mas que precisamos ser capazes de partilhá-lo com os que não o têm. Não é o pão da padaria, mas o alimento de nossa mente e do nosso coração. Por fim, sabemos que a vida é uma diária, cheia de dificuldade e, por isso, repleta de tentações, dentre as quais a corrupção. Por isso, “não nos deixes cair em tentação”, que nos livre destes males. Tudo o que Jesus pregou na curta passagem pela Terra, está sintetizado no Pai-Nosso e, quanto mais sentirmos o efeito destas simples palavras, mais o nosso coração se tornará mais semelhante ao coração de Jesus.

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