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A questão da dor

 

  • Denize do Nascimento Gonçalves-

Raras pessoas que já passaram ou passam pela Terra compreendem o sentido da dor. Raras são as que a suportam e a aceitam. Ela tem um sentido, um propósito, caso contrário, não existiria.

A dor tem sido vista e analisada como algo ruim, em todos os sentidos, tanto físico quanto emocional. A questão é que se a observarmos mais intimamente, veremos que há, por trás de toda dor, uma questão pendente que busca solução.

Você, caro leitor, já não parou, alguma vez, para analisar o que esta ou aquela dor, em uma época da sua vida, não obteve sobre você um aprimoramento, um amadurecimento de si mesmo? É claro que nem todo o mundo aproveita as oportunidades de autoaprimoramento que a vida se nos apresenta. Há os que se revoltam, rebelam, xingam, gritam e dificilmente, a mestra invisível da dor ensinar-lhes-á a lição preciosa.

Marcel Proust(1871-1922), escritor francês,  disse-nos certa vez que: A felicidade é salutar para o corpo, mas só a dor robustece o espírito. E disse tudo! Mas, será que compreendemos a dor por esta ótica? Será que bendizemos a dor quando ela bate à nossa porta ou a maldizemos e nos revoltamos sob a crença de que não merecemos sofrer? Ou merecemos ou precisamos, caso contrário a dor não seria necessária neste estágio de nossa evolução.

Lembro-me de uma pequena história de uma borboleta que, já formada, contorcia-se dentro do casulo para alçar o seu primeiro vôo. Um homem que a observava, vendo a sua luta contorcionista para sair daquele ambiente, utilizou-se de uma tesoura de ponta bem fina e iniciou o corte do casulo a fim de libertá-la do seu visível sofrimento. Ela saiu, mas permaneceu aleijada por todo o tempo em que viveu. As dores do seu movimento eram para o fortalecimento de suas asas. Pobre borboleta!

Às vezes, somos assim. Queremos uma vida para nós e para os outros exatamente desta forma: sem dor, sem lutas, sem desafios. Queremos passar o aluno que não se esforçou para que ele não sofra as angústias da reprovação; queremos defender o nosso filho das provocações do mundo para que ele não chore; queremos nos separar de um familiar porque ele nos causa sofrimento; queremos abandonar um trabalho porque ele nos provoca irritações constantes e dores de cabeça diárias; enfim, onde deveríamos utilizar das palavras enfrentar, modificar, aprender, crescer, melhorar, preferimos a palavra fugir da dor; a dor que aciona os mecanismos da nossa evolução!

É importante, vale a pena analisarmos o que Freud(1856-1939) fala em torno, então da felicidade, quando diz que mede-se o grau de felicidade de uma pessoa pelo grau de tolerância que ela possui diante do que poderíamos chamar de adversidades. Logo, podemos concluir que a forma de lidar com a dor, o problema nos diz, diretamente, o nosso grau de evolução. A lembrarmos do exemplo do Mestre no calvário.

 

Denize do Nascimento Gonçalves

Psicopedagoga –Professora de Redação

É colaboradora deste Diário

 

 

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