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Debate sobre gênero

Por  Paulo Eduardo de Mattos Stipp –

É lamentável o rumo histérico que a discussão sobre gênero vem assumindo em nosso país. A vergonhosa tocaia feita à filósofa norte-americana Judith Butler no aeroporto de Congonhas é um exemplo disso. Duas mulheres desequilibradas jogando o carrinho de malas contra a filósofa e um homem filmando. Pronto.  Assim se macula a imagem de um país inteiro.

Não estou dizendo que você precise gostar, acreditar ou seguir as ideias da filósofa, mas gostaria de lembrá-lo que não se joga um carrinho de malas contra pessoa alguma. Isso não é educado. Não se grita a uma visitante estrangeira que ela “vá queimar no inferno”, pelo menos no que compreendo de uma visão cristã.

Você não concorda com o pensamento de Butler, OK, a gente continua amigo. Mais do que isso. Podemos sentar e discutir; debater o que é pertinente ou não nessa discussão sobre gênero ou sobre o pensamento da filósofa.

Creio que pela própria truculência e insanidade com que o tema vem sendo abordado, ele se impõe, mais do que nunca, como um tema a ser debatido, discutido, conversado. Dialogado.

Numa consulta rápida à Wikipédia temos “Diálogo (em grego antigo: διάλογος diálogos) é a conversação entre duas ou mais pessoas, costuma-se dizer erroneamente que significa “dois”, no entanto, significa “passagem, movimento”, assim, diálogo significa a troca de intervenientes, que podem ser dois ou mais. Embora se desenvolva a partir de pontos de vista diferentes, o verdadeiro diálogo supõe um clima de boa vontade e compreensão recíproca.”

No último dia 09, uma das mídias eletrônicas de nossa região informava que “Padres, pastores e autoridades (prefeito, Vereadores) iniciam debate sobre ideologia de gênero e preparam ações em favor da família votuporanguense.”

É por acreditar no diálogo, na troca de ponto de vistas diferentes que escrevo esse artigo. Cria, pelo compromisso assumido por alguns edis nas redes sociais, que a possibilidade de se expressar a pluralidade de ideias sobre a questão de gênero teria momento específico e aberto à comunidade. Confesso que estranhei a ausência dos secretários de Direitos Humanos e da Educação, assim como lamentei a baixíssima representatividade feminina (apenas duas mulheres) nesse “debate” sobre a questão de gênero. Mais do que isso, lastimei a ausência de outras vozes no que deveria configurar um verdadeiro debate.

Bom, não se pode ficar lamuriando a festa para qual não fomos convidados. Nem por isso me furto ao compromisso de convidar à discussão sobre gênero as referidas autoridades e os leitores dessa coluna. Peço licença para falar enquanto educador e em defesa da família votuporanguense.

Aos senhores que se posicionam contra essa tal Ideologia de Gênero (o que quer que isso signifique) gostaria de perguntar como compreendem a escola.

Escola é um lugar onde a gente estuda, aprende Português, Matemática, História e outras disciplinas. Ok! É mesmo. A escola é o local para todo tipo de dúvida e busca de conhecimento.

Mas também é o local onde a gente passa boa parte de nossas vidas. É o local onde a gente faz amigos, se diverte, faz travessuras e, às vezes, acaba indo parar na diretoria, assinando o Livro da Capa Preta. A escola é um lugar pra ser livre e aprender a respeitar os outros. É onde a gente aprende a conviver, a entender e respeitar nossos direitos e deveres. É o lugar em que a gente entra em contato com quem é diferente da gente, de nossa família, de nosso grupo. Negros, cadeirantes, disléxicos, japoneses, ruivos, canhotos, gays, garotos com baixa visão, cegos, surdos, hiperativos, etc.. A escola é o local ideal para entender, conhecer e respeitar essas diferenças.

Um dos maiores problemas que a instituição escola enfrenta hoje é a questão do bullying. Aprender a conviver e respeitar as diferenças é papel de toda sociedade, mas assume especial relevância na escola. A diversidade já existe. As crianças são diferentes umas das outras. A escola deve estar preparada teórica e pedagogicamente para compreender e contemplar essa diversidade já existente. Os professores devem saber respeitar essa pluralidade, e ajudar a promover que essas crianças aceitem e se respeitem umas as outras.

Discutir gênero é discutir respeito. Discutir gênero não muda a orientação sexual de ninguém. Se seu filho nasceu menino-homem-do-saco-roxo e gosta de jogar futebol…  Ótimo! Pode ter certeza que ele será respeitado assim. Bem como se seu filho nasceu menino-homem-do-saco-roxo, mas não gosta de futebol, a escola deve garantir que ele também seja respeitado. Ele deve ser respeitado pelo professor de Educação Física que promoverá a integração e o estímulo a todas as práticas esportivas, sem forçar a barra. Ele deve ser respeitado pelos colegas de classe, sem ser pressionado, ridicularizado, apelidado e excluído. E olhe que gostar ou não de futebol não diz respeito à sexualidade de ninguém, mas deve ser um direito assegurado. Discutir gênero é garantir que menino não goste de futebol, ou que uma menina goste. E nada disso interfere em sua orientação sexual.

Que fique claro que a discussão de gênero não interfere na orientação sexual de ninguém. Que discutir gênero é exercitar a tolerância e o respeito difundido pelos ideais cristãos. É respeitar o outro, o diferente. Não é queimar bonequinhas e vociferar discurso de ódio ao outro, ao diferente de mim e dos meus. É acreditar e exercer a cidadania, a democracia. É estar aberto ao diálogo, ao debate.

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