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Internação compulsória resolve?

 

Por Ivan Jordão –

 

Ainda que o cotidiano do jovem tenha se transformado numa intercalação constante entre o consumo de bebida alcoólica e a maconha ou a cocaína, seria aconselhável recolhê-lo, involuntariamente, a uma clínica, por determinado período, para que busque a desintoxicação e a capacidade de manter-se “limpo”, livre da influência do grupo no qual está  inserido e que o teria feito mais um elo na corrente que enriquece os traficantes, na distribuição da erva maldita, sujeitando-o, em alguns casos, a transformar-se em mais um tentáculo na rede  que sustenta o crime organizado?

Ao ser-lhe dada a “alta” não iria retornar ao convívio desses mesmos consumidores e ter uma “recaída”, tendo os familiares que admitir o fracasso? Além da possibilidade de, no convívio com outros, ter ainda mais agravada sua situação de dependência.

Teria adquirido na saída, a determinação para, primeiro admitir que precisa de ajuda e segundo, adotar o “por  hoje não vou fazer uso”, obtendo, paulatinamente, a probabilidade de, em se aproximando de outros grupos, mudar, de fato, de vida, não ingerindo a primeira dose ou consumindo o primeiro cigarro ou  o primeiro pino?

O jovem infelizmente, um dia, escolheu experimentar, e não sabia da predisposição para a dependência.

O “paro a hora que quiser”, não se aplica aos que tem dependência. Em alguns casos, hereditária. Embora seja a frase mais utilizada quando se livra de consequências que poderiam comprometer sua integridade física ou moral.

As custas, em termos de perda de neurônios? Dispensável abordar, especialmente se o jovem cursou o Ensino Médio ou está cursando o Superior em área que traz a Fisiologia como disciplina na grade curricular. Ele sabe disso.

Como não ignora que o malefício é irreversível, podendo vir a impedi-lo de concluir sua formação acadêmica, não raro escolhida por ele mesmo, desejoso de ser bem sucedido profissionalmente.

Consciente do perigo que oferece a si mesmo, torna-se irritadiço e infelizmente apela para o vício na tentativa de fugir ao problema; atolando-se cada vez mais, no lamaçal. Não raro agride a própria família, porque sob o efeito da droga, não tem consciência de quem está agredindo…

O arrependimento não irá apagar o mal que pode ter feito.

 

Como tirá-lo do grupo, muitas vezes, “amigos de infância”, se não lhe oferecendo um grupo de sustentação?

Onde? Desconhecemos outro e que o jovem pode aceitar se lhe for dada a oportunidade de ponderar, que não o religioso.

Por que a “cura” poderia ser alcançada através desta ou daquela denominação? Não. Não existe cura, nesse caso. E essa deveria ser a primeira tomada de consciência dos pais ou responsáveis.

A solução voluntária pode estar em local onde outros jovens que já passaram pela experiência do uso, conseguem manter-se a salvo. Jovens que, como ele perceberam um dia, a sociedade, a família e a escola, com os vieses que lhe foram empurrados goela abaixo. Goela escorregadia devido à predisposição ignorada ou nunca trabalhada.

Os pais têm receio, em muitos casos, e não se dão ao trabalho de questionar, em época oportuna, quando a absorção do ensinamento é mais fácil: desde a infância. Daí a importância da família ser ligada a um determinado grupo religioso. Qual o padre, pároco ou pastor que não fala dos efeitos da droga, para seus fiéis?

Dizer que estes são “comedores de arroz e feijão” como qualquer pessoa é um tanto imaturo. Deve ser avaliada a capacidade de se fazerem representantes dos ensinamentos bíblicos, profissionalmente.

Quem iria deixar de se tratar com um médico competente, bem sucedido, pelo simples fato do mesmo ter falhas pessoais, do conhecimento da sociedade, desde que estas não comprometessem sua habilidade profissional, o resultado de suas intervenções?

O mesmo se aplica a padres e pastores. Quem não conhece algum, que ao fazer uso da palavra, sugerem estar tomados pelo Espírito Santo, encantando os ouvintes, comovendo, convencendo, mas, fora do ambiente religioso usam e abusam de práticas condenáveis?

Precisamos aprender a separar as duas facetas destes, que ainda que genuinamente procurem a salvação, são vítimas da própria condição humana. O que não os impede de atuar em prol da salvação – material e espiritual – dos jovens “desencaminhados” e da integração necessária, da família.

Na habilidade dos pais para convencer o jovem a  enturmar-se neste ou naquele grupo, pode estar a primeira gota desse remédio que não deve ser negligenciado e que tem na sua fórmula, o AMOR.

Quem disse que não se pode manter uma peneira cheia de água? Basta que esteja mergulhada num recipiente maior que ela, cheio do precioso líquido.

 

Ivan Jordão é psicólogo e colaborador deste Jornal.

 

 

 

 

 

 

 

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