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Atletas da Superliga temem concorrência com ‘mercado trans’

 Tifanny voltou a se destacar pelo Bauru. Foram 24 pontos na vitória sobre Brasília (Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru)

Jogadoras mostram preocupação com a presença de Tifanny, primeira transexual a disputar a competição nacional. Treinador do Pinheiros revela ter recebido ofertas por outras trans

 

A presença de Tifanny na Superliga feminina de vôlei tem preocupado atletas e pode até ter dado início a um mercado de atletas transsexuais no país. Adversárias da oposto nas últimas rodadas do torneio nacional afirmam que a força da atleta é acima da média. E clubes já começaram a receber propostas de outras transsexuais dispostas a ingressar na elite.

“Não só ouvimos falar de outras como já recebi contatos. Tem gente que liga procurando espaço no clube como atleta. Empresários ligam dizendo que têm atleta disponível – disse o técnico do Pinheiros”, Paulo de Tarso.

A equipe do comandante foi uma das vítimas de Tifanny. O Bauru levou a melhor sobre o time da capital por 3 a 1, com 25 pontos da atacante. Atletas que estiveram em quadra naquela partida, em dezembro, revelaram à o sentimento de desconforto com a situação.

“Depois de nossa partida contra o Bauru, quando a Tifanny recebeu o troféu de destaque do jogo, eu disse que sempre que ela estiver em quadra, ninguém mais vai ganhar. Ela sempre vai se destacar, sempre estará acima das outras’, afirmou a ponteira Mari Cassemiro, do Pinheiros.

Capitã da equipe de São Paulo, a ponta Vanessa Janke demonstrou preocupação com o futuro do vôlei para as mulheres: “Se isso aumentar nos próximos anos, nós mulheres vamos perder espaço. A trans tem maior vantagem física. Todo clube vai querer contratar uma”.

O médico Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Unifesp, explicou que a vantagem física de Tifanny existe pelo fato de a cirurgia para mudança de sexo ter acontecido quando ela já tinha 30 anos.

“Ela passou boa parte da vida com uma produção hormonal muito maior do que uma produção hormonal feminina. Isso acaba influenciando no tamanho dos órgãos, coração, pulmões, a parte óssea, ou seja, as alavancas do aparelho locomotor. Então, isso cria diferenças em relação às mulheres e faz com que ela tenha um desempenho melhor. Não é pura e simplesmente o controle de testosterona na circulação’, afirmou Zogaib.

Enquanto o debate acontece nos bastidores, Tifanny vem roubando a cena pelo time do interior paulista. Ela já marcou 94 pontos em apenas quatro partidas da Superliga, o que resulta em média de 23,5 acertos por jogo. A última atuação foi na noite de terça-feira, na vitória sobre o BRB/Brasília Vôlei por 3 a 1. Ela ainda foi eleita a melhor em quadra, em votação popular.

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