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Um bote da ciência contra a hepatite C

Luis Octávio Regasini desenvolve compostos sintéticos contra hepatite C (Foto Mara Souza)

Três pesquisas do Ibilce em Rio Preto, incluindo uma com o veneno de cascavel-de-quatro-ventas, buscam formas de combater e prevenir a doença

Por Millena Grigoleti

 

 

Professora Paula Rahal que desenvolveu pesquisa sobre o veneno de cobra no combate a  hepatite C

Três pesquisas do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce), de Rio Preto, apontam novos rumos para o tratamento da hepatite C, doença que, segundo a Secretaria de Estado da Saúde, responde sozinha por 40% dos transplantes de fígado. Compostos do veneno da cobra cascavel-de-quatro-ventas e das folhas do amendoim-bravo, bem como o composto sintético Fac4 mostraram-se eficazes no combate ao vírus em experimentos feitos em laboratórios. Além de tratamento, os estudos apontam para uma possível vacina contra a infecção.

As análises, que agora estão sendo continuadas, foram realizadas pelo grupo de Virologia do Laboratório de Estudos Genômicos do campus da Unesp de Rio Preto e pelo Laboratório de Química Verde e Medicinal do Ibilce em parceria com o Laboratório de Virologia, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICBIM) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Uma das pesquisas envolve o veneno da cobra também conhecida como boiçununga ou maracamboia. Os compostos do veneno de cascavel foram isolados no Laboratório de Toxinologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto.

“Por mais que tenha as drogas de última geração que estão no mercado ainda há pacientes que ficam ou resistentes ou não respondem a essas drogas. Então a busca de novos medicamentos é importante para tentar resolver esse tipo de problema”, explicou a professora Paula Rahal, do Ibilce.

De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde, as hepatites virais causaram 1,34 milhão de mortes em 2015. A Secretaria Municipal de Saúde de Rio Preto aponta que atualmente 34 pessoas fazem tratamento contra o tipo C da doença na cidade. Entre 2015 e 2017 – os dados do último ano ainda não estão fechados – foram diagnosticados 307 casos da doença.

“Quando pensa em uma infecção viral pensa em um processo dinâmico acontecendo. O vírus dentro do indivíduo está infectando novas células. Realizam um processo de replicação, modificação do genoma, produção de novas partículas virais que saem dessas células para infectar novas células”, afirmou Ana Carolina Gomes Jardim, da UFU.

Foram testadas na pesquisa duas proteínas do veneno da cascavel: a fosfolipase A2 e a crotapotina, que juntas formam o complexo crotoxina, também testada. De maneira isolada, as proteínas foram mais eficazes. A fosfolipase conseguiu reduzir em 86% a produção de novos genomas virais, quando comparada a quando está ausente. Com a crotoxina, a redução foi de 58%. A substância conseguiu bloquear em 97% a entrada do vírus nas células. Associada à crotapotina, o bloqueio foi de 85%.

Segundo Ana Carolina Gomes Jardim, ainda é cedo para falar em cura da doença. “Muitos estudos ainda são necessários. In vitro, outros in vivo, mas é isso que acontece com qualquer composto que será utilizado como fármaco para humanos”, afirma. Paula Rahal estima em até 15 anos o tempo entre o início dos estudos e um composto tornar-se um medicamento.

Vacina contra a infecção

Planta bastante encontrada no campus da Unesp, em jardins e beira de rodovias, o amendoim-bravo pode se tornar aliado para impedir que o vírus da hepatite C penetre nas células. Dois flavonoides presentes na folha dessa árvore foram isolados: sorbifolina e pedalitina. A pesquisa foi feita em parceria com o Ibilce e a UFU.

Os testes foram idênticos aos feitos com o veneno da cobra. Em 45% dos casos, a sorbifolina impediu a entrada do vírus nas células. A pedalitina cumpriu essa função em 79% dos casos. As substâncias não impediram a replicação do vírus quando a célula já estava infectada, nem impediram sua saída da célula.

Originalmente, a função dos flavonoides no amendoim-bravo é protegê-lo da radiação ultravioleta, como se fossem protetores solares. “O que é mais interessante é que os compostos da planta inibiram a entrada do vírus no hepatócito, na célula do fígado”, explica o professor Luis Octávio Regasini, do Laboratório de Química Verde e Medicinal do Ibilce. “É a grande descoberta. O vírus não consegue atuar de forma alguma. É diferente da maioria dos remédios que tem hoje para hepatite.”

O professor ressalta que, embora os resultados sejam positivos, ainda é preciso muita pesquisa antes que a planta, que tem provado ser eficiente contra carrapatos e vermes em animais e já é utilizada com fins medicinais em algumas tribos, seja considerada um remédio. Assim, a população não deve começar a utilizá-la para combater a hepatite, pois os estudos são iniciais.

A descoberta é um grande avanço e pode apontar o caminho para uma vacina. Segundo Regasini, poucos grupos no mundo estudam de forma sistemática combates à hepatite C.

Compostos sintéticos

O grupo de pesquisadores também descreveu a ação de um alcaloide, um composto natural encontrado nas plantas, mas neste caso produzido artificialmente. O Fac4 é sintético, ou seja, produzido em laboratório, não encontrado na natureza. Geralmente os compostos sintéticos são importados, na maioria das vezes da Alemanha, e misturados pelos estudiosos para testar sua eficácia contra várias doenças.

No caso da hepatite C, o Fac4 conseguiu inibir em até 92% a replicação do vírus nos testes feitos in vitro nos laboratórios. “É muito interessante porque esse composto é mais potente do que os medicamentos que há no mercado. Mesmo mecanismo, só que tem maior potência”, afirma o professor Luis Octávio Regasini. “Se a pessoa tem que tomar dois comprimidos por dia do medicamento convencional, desse ela tomaria um.”

O pesquisador alerta que, mesmo com os avanços da ciência, é importante que as pessoas se previnam contra o vírus, que é transmitido pelo contato com sangue contaminado (transfusão de sangue e hemoderivados, sexo desprotegido e compartilhamento e objetos de uso pessoal como agulhas de tatuagem, alicates e tesouras). Além das dificuldades do tratamento, as descobertas recentes sobre caminhos do combate à infecção vão demorar anos para ser testadas e, se os resultados forem positivos, transformadas em remédio e vacina. (MG). (Diário-WEB)

 

 

 

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