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O protecionismo

Addson Luis *

 

 

O Brasil foi surpreendido há alguns dias com uma notícia que, se levada a cabo, irá influenciar o cenário nacional, pincipalmente as empresas siderúrgicas. Trump anunciou a sobretaxação do aço importado pelos Estados Unidos em 25%, e 10% sobre o alumínio. Segundo o presidente, essa medida visa proteger a indústria norte-americana.

Atualmente, somos o segundo país que mais exporta aço para os EUA e essa medida protecionista pode nos afetar de modo expressivo, fazendo com que nossas exportações provavelmente diminuam, provocando a ociosidade de máquinas e trabalhadores. O resultado pode ser a redução do quadro de funcionários, causando dano em nossa economia que está começando a se reabilitar. Mas claro, os países que desejam transacionar com os EUA devem realizar negociações, e lançar mão a uma hipótese tão pessimista pode ser algo um pouco precipitado, mas ela também não deve ser descartada.

Quando ouvimos que um “país x” taxará (ou sobretaxará) produtos de um “país y”, como neste caso, tem-se a errônea ideia de que eles transacionam entre si, mas na verdade, empresas o fazem e estas são regidas por indivíduos que pensam, planejam e relacionam-se. O mercado financeiro não é um produto das tenções entre países, mas sim das relações mercantis, que são as únicas capazes de fomentar processos de crescimento e desenvolvimento expressivos nas nações envolvidas e em muitos casos, acabam influenciando outras também. O Estado tem seu papel, claro, que se resume em negociar as tarifas de alfândega com outro Estado ou implantá-las sem reunião com autoridades exteriores alguma, como no caso de Trump. Mas as necessidades de compra e de venda devem estar sob os anseios do povo e não de uma exígua classe política reunida em escritórios. Logo, não havendo bom senso, os líderes públicos podem acabar solapando a vida de seu povo ao invés de melhorá-la.

Quando um país taxa/sobretaxa outro, este busca retaliá-lo. Aquele, crendo estar ajudando seu próprio povo, protegendo sua indústria e comércio, na verdade acaba condenando-o. Mesmo que uma área seja beneficiada, outras serão prejudicadas e é nesse cenário que cria-se a oportunidade para cartéis entre governo e empresas e dá azo aos preços exorbitantes. É a vã tentativa protecionista que somente “descobre um santo e cobre outro”.

Um produto, por mais trivial que seja, passa por vários processos envolvendo inúmeras mãos para ser produzido e outras inúmeras para ser transportado. Muitas vezes esse transporte transpassa barreiras e chega a inúmeras outras nações. Se esse produto for taxado, afetará não somente a nação taxada, mas também a própria nação que cria a taxa. Esse processo já foi explicado pelo filósofo e economista Adam Smith no século XVIII.

Em “A Mão Invisível”, Smith mostrou que, caso um país taxe outro, haverá retaliações por parte do taxado sobre os produtos daquele. Isso faz com que o plano de ajudar do governo, simplesmente ganhe outra natureza, a de atrapalhar e subjugar. Podemos perceber este efeito circundando a decisão de Trump. Os países integrantes da UE (União Europeia) já tencionam realizar retaliações, sobretaxando os produtos americanos que são importados e o resultado da impensada medida protecionista será: auxiliar um setor em detrimento de vários outros, fazendo com que a população pague a conta por uma manobra política impensada.

Muitos se posicionaram contra Trump, inclusive nomes de seu próprio partido. Sua medida pode ser anulada, mudando completamente o cenário, beneficiando não só inúmeras áreas dos EUA, mas também países como o Brasil, que lhes exportam os produtos em questão. É hora de torcer para que a medida seja minada e nossa nação respire mais aliviada. Caso ela não seja derrubada, o Brasil ainda tem a chance de isentar-se da sobretaxação, pois há a possibilidade de negociações, como dito anteriormente neste artigo. Os países do NAFTA, Canadá e México, independentemente dos resultados políticos que tangem à decisão de sobretaxação ou não sobretaxação continuarão isentos.

 

Addson Luis, estudante do IFSP – Campus Votuporanga.

 

 

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