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A culpa não é do coelhinho da Páscoa

Maria Inês Dolci *

O coelhinho da Páscoa é um dos mitos mais simpáticos do mundo infantil. Essa tradição veio da Europa para o Brasil há centenas de anos e ajuda a inflar as vendas de ovos de chocolate. Fé e tradição são convicções pessoais, mas a publicidade infantil inerente a datas como esta deveria ser mais discutida.

Hoje, as crianças não escolhem mais o ovo de chocolate pelo sabor, e sim pelo tema da embalagem ou pelo brinde associado ao produto. Isso é ruim, pois induz à compra de um alimento calórico, que deveria ser consumido com moderação. Em alguns casos, trata-se de venda casada, vetada pelo Código de Defesa do Consumidor. E encarece o produto, pesando mais no bolso dos pais.

Não há dúvida de que avançamos neste quesito. Até ‘cigarrinho de chocolate’ havia no passado, bem como sugestões sobre como o filho deveria exigir dos pais uma bicicleta nova. Bebês apareciam em anúncios mais antigos bebendo refrigerante, leite condensado (em período de amamentação), simulando fazer a barba etc.

Ainda há controvérsias como, por exemplo, propaganda de lanches altamente calóricos aparentemente voltada a adultos. Crianças, contudo, também são atingidas por estes anúncios e a obesidade infantil e adolescente já é considerada epidêmica no mundo.

Há fortíssima reação quando se critica a publicidade infantil direta ou indireta. Mas há de convir que a criança ainda esteja formando sua personalidade e não deva ser equiparada, neste aspecto, a um consumidor adulto.

Não escaparemos de, mais dia, menos dia, ser mais severos com o cardápio infantil. Para isso, há que limitar gorduras, açúcares e sal. E, como já escrevemos neste espaço, definir muito bem as exigências para que um produto seja integral.

Não há nada de errado em dar um ovo de Páscoa para uma criança, se o produto respeitar eventuais alergias ou limitações de saúde. Há opções sem glúten, sem lactose e diet. Mas não vejo mais como montar a tradicional cestinha de Páscoa, com vários chocolates, doces e ovos. Nem gastar nestes presentes quando o desemprego e o subemprego encolherem a renda familiar.

Teremos de ser menos consumistas e de ensinar a nossos filhos e netos de que forma saúde e meio ambiente sofrem devido a nossos hábitos de consumo.

Alimentos e bebidas altamente calóricos terão de entrar cada vez menos na dieta, pois nos preparamos para viver 90 anos ou mais, mas há de ser com saúde e qualidade de vida. A preparação para a velhice tem de começar na primeira infância.

O coelhinho da Páscoa não tem culpa disso, mas nossos legisladores e autoridades das agências reguladoras terão de aumentar a atenção e a preocupação com o que se oferece às crianças que tenham renda. E, acima de tudo, trabalhar para que todas as crianças sejam bem alimentadas, como deveria ser normal em um país com tantas riquezas naturais, uma das 10 maiores economias do mundo.

 

  • Maria Inês Dolci – Advogada é especialista em direitos do consumidor.

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