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Como se vingar de uma traição?

Ilustração de Jean Galvão

Por Mirian Goldenberg *

Como posso ser feliz se o meu principal objetivo é me vingar de um cafajeste mentiroso?

Muitas mulheres que pesquisei me disseram que foram infiéis por vingança. Elas queriam “pagar na mesma moeda”: provocar a mesma dor, ou uma dor maior ainda, no marido traidor. Mas elas descobriram que a vingança não amenizou o sofrimento por terem sido traídas.

Uma arquiteta de 37 anos contou:

“Depois que tive o meu primeiro filho, meu marido ficou muito distante, deixou de me escutar, de me beijar na boca, de me valorizar. Descobri que ele estava tendo um caso com a secretária. Transei com um colega do trabalho só para me vingar e me arrependi profundamente. Acabei me igualando a ele no nível de podridão e mediocridade”.

 

Uma socióloga de 59 anos, “após descobrir que o marido transava com garotas de programa”, deu algumas dicas de como sobreviver à traição:

 

  1. Ter a certeza de que se ele traiu você, é muito provável que tenha feito o mesmo com outras mulheres. Mais cedo ou mais tarde, ele vai pagar pela dor que causou;

 

  1. Buscar a vingança é se igualar à perversidade, egoísmo e mesquinharia de um traidor. Nenhum sofrimento justifica alimentar a maldade e a violência;

 

  1. Realizar uma espécie de morte simbólica, deletando para sempre aquele homem da sua vida. Procurar manter uma distância física e psicológica, criando, assim, uma barreira para que ele não provoque mais sofrimento;

 

  1. Aprender a lidar com o sofrimento procurando amadurecer e melhorar como ser humano. O melhor lema para enfrentar a dor inevitável é “o que não me mata, me fortalece”;

 

  1. Ter consciência de que a dor vai passar, mesmo que demore um pouco;

 

  1. Procurar, por mais difícil que possa parecer, enxergar o momento de dor como uma lição da vida. Tirar o foco do outro e investir na invenção da própria felicidade, buscando ser a melhor versão de si mesma;

 

  1. Concentrar-se nos próprios projetos de vida, para não se tornar uma eterna prisioneira do ódio por outra pessoa.

 

Ela conclui: “Algumas mulheres conseguem perdoar uma traição, mas eu não consegui. Para mim, a perda da confiança e a certeza de que não sou a única significam a morte do amor e do respeito. Acho lamentável ficar obcecada pelo desejo de destruir a vida de alguém. Como posso ser feliz se o meu principal objetivo é me vingar de um cafajeste mentiroso?”.

 

Mirian Goldenberg

É antropóloga e professora da UFRJ. É autora de ‘Coroas: corpo, envelhecimento, casamento e infidelidade’.

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