Powered by free wordpress themes

Home / Política / Liberdade e posse

Powered by free wordpress themes

Liberdade e posse

Addson Luis –

Os jornais brasileiros têm acompanhado a dura rotina do povo venezuelano, mostrando cenas de miséria, total ausência de produtos básicos, moeda enfraquecida, hiperinflação e nenhuma probabilidade de mudança ou melhoria em curto ou médio prazo. Recentemente ocorreram as eleições para a presidência da Venezuela, e o atual “presidente” Nicolás Maduro venceu com 67,7% dos votos válidos, aos 92,6% das urnas apuradas. Essa reeleição significa mais seis anos do tirano no poder.

Essa “vitória” gerou desconfiança internacional e inúmeros países da UE, latino-americanos, o Canadá e os EUA classificam-na como antidemocrática. Não somente esses países, mas candidatos opositores também declararam não reconhecê-la e inúmeras denúncias foram feitas contra Maduro. Mas caso ele perdesse, haveria mudança expressiva? Talvez! Alguns fatores devem ser levados em consideração. Não basta apenas “trocá-lo”, é preciso que seu substituto busque lançar mão a novos métodos e ações eficazes. A inflação, a miséria e a consequente destruição de sonhos são frutos de uma política adotada e não de um “castigo dos deuses” e nem de uma intempérie, e só pode ser mudada através de outra (melhor) política.

Quando pensa-se em regimes ditatoriais como Venezuela, Cuba ou Coreia do Norte, é necessário ter em mente que o socialismo, por mais belo que seja sob a retórica, é o sistema do fracasso, e da propagação da miséria, capaz apenas de diminuir a qualidade da vida humana, bem como reduzir seu valor, tornando o homem um mero animal sem autonomia, sem liberdade. Liberdade não engloba apenas estes atos: “ir e vir”; a aquisição de bens e sua proteção também são sinônimos de liberdade, pois as posses são uma extensão do homem. O empreendedor possui certo número de bens que irão lhe render mais ativos; o estudioso possui certa quantidade de livros e manuscritos que dar-lhe-ão mais conhecimento; o colecionador possui determinado número de coisas e/ou objetos que lhe trarão certo prazer ou diversão. Privar o homem da posse é privá-lo da liberdade; não existe “liberdade” sem “liberdade econômica”.

Pode ser que alguns idealistas digam que “dinheiro não traz felicidade” e por isso não se deve se apegar às “coisas deste mundo”. Concordo; dinheiro realmente não traz felicidade alguma, mas através dele é possível adquirir produtos que tornarão a vida mais confortável e prazerosa. Quando alguém deseja um celular não visa felicidade, mas sim melhorias em certos campos correlacionados a esse item, e ao possuí-lo estará mais satisfeito do que antes. Após o desejo ser sanado e o indivíduo se acostumar com a aquisição, é normal que ele venha a se entediar e passe a desejar algo melhor. Alguns podem julgar como ganância, mas que mal há? Se o trabalhador deseja ter dois ou três carros e possui ativos suficientes para tal, quem deve impedi-lo? Se ele deseja ter quatro ou cinco casas, o que importa? Ele não é livre para escolher em quê aplicar seus rendimentos? O indivíduo só deve ser refreado quando fere o direito alheio, inclusive o da posse.

Para que o direito de posse seja assegurado é preciso de certa proteção que só o governo, que é uma instituição nascida da união de inúmeros indivíduos (povo) que visam o bem comum, pode dar. Mas essa força extraordinária, resultado da união, deve ter seus poderes restritos a fim de não aviltar-se e perder seu sentido imperativo, pois quando é grande demais (inchado, e cheio de burocracia) em vez de proteger, passa a tomar e espoliar; em vez de ajudar, passa a perturbar e atrapalhar; em vez de ser justo, passa a ser arbitrário, ganancioso, dissipador, leviano. É preciso que o estado tenha seus “limites” bem definidos, a fim de não enxovalhar-se a si próprio e nem a jogar no lixo o direito de proteção de seu povo, respeitando a autonomia deste e levando em consideração que o indivíduo não é uma massa amorfa nascida apenas para acatar os projetos e anseios de um “planejador central”, mas sim para crescer, projetar, comprar, trocar, adquirir, otimizar, etc. No livro “A Lei”, o economista francês Frédéric Bastiat definiu bem o tamanho ideal do estado, mostrando o porquê da necessidade de um  “governo pequeno” e também o motivo da necessidade de sua existência.

Mesmo que vivamos em um país com considerável conforto e qualidade de vida em relação aos países sob regimes ditatoriais, como os citados neste artigo, o Brasil não está bem colocado no “Ranking de Liberdade Econômica”  (há um outro artigo que escrevi anteriormente sobre isso disponível no site deste jornal) e precisa melhorar em muitos quesitos e alguns deles vão além do campo econômico. Em “A Política”, de Aristóteles, livro importantíssimo para auxiliar na compreensão do pensamento político, diz-se que reformar um governo é tão trabalhoso quanto iniciar um novo sistema político. E partindo de tal pensamento, você consegue imaginar o quanto de trabalho ainda temos para melhorar esta nação?

 

 

 

Addson Luis

Estudante

Além disso, verifique

Marão tem suas contas aprovadas

Por unanimidade, foram aprovadas na última sessão ordinária da Câmara, ocorrida na última segunda-feira, as …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.