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Corporeidade, escola e educação física

Por Daniel Carreira Filho *

Convido ao leitor a rever um pouco de sua história de vida escolar e tentar, com sua aguçada visão atualizada, estabelecer relações com o que ocorre com seus filhos ou netos quanto à corporeidade.

Certamente o leitor teve oportunidade para participar de aulas de Educação Física em sua experiência escolar na Educação Básica Nacional (ensino fundamental e ensino médio ou o ensino primário e o colegial, dependendo de sua idade). Sem qualquer possibilidade de erro, a grande maioria vivenciou as práticas esportivas do Basquetebol, Voleibol, Handebol, Futebol e Queimada, ano após ano e divididas em bimestres ao longo do ano letivo (quatro bimestres). Estas eram as possibilidades de envolvimento com a cultura corporal de movimento (no próximo encontro falaremos sobre este conceito). No entanto, os menos hábeis, gordinhos, magrinhos e, não podemos esquecer, as meninas eram os primeiros a serem excluídos destes momentos, ou não, isso não foi visto ou vivido por você?

Certamente foi possível verificar, sem qualquer análise crítica adequada, que os mais hábeis dominavam o espaço de práticas, eram os que organizavam os times para o horário das aulas e, os menos hábeis eram “condenados” ao esquecimento que, por vezes transitava pelas ações de alguns professores. Viram, certamente, alguns permanecerem dia após dia afastados das práticas esportivas por ausência de habilidades que, diga-se de passagem, não eram do interesse da escola, dos professores e da própria família. Afinal, para que existe na Escola a Educação Física? Não é?

Pois bem. Hoje são inúmeras as constatações de que decorrente do envolvimento desde a mais tenra idade com as práticas corporais (entenda-se como esporte, dança, lutas, jogos, atividades físicas e esportivas) há a possibilidade de uma melhor relação do indivíduo com sua corporeidade, sua vida em comunidade, sua saúde e seu dinamismo. No entanto, o que ainda se vê é a reprodução dos mesmos modelos que você viveu, os mesmos quatro esportes (denominados como quarteto hegemônico ou fantástico no campo da Educação Física) e a paupérrima cultura corporal entre nossos filhos e netos.

Você deve lembrar que a escola construiu uma quadra de forma a que apenas dois grupos participassem da aula e os demais ficavam/ficam sentados nas arquibancadas ou sequer se dirigem às aulas. O modelo do esporte como ocorre no meio competitivo adentrou ao cotidiano escolar provocando a reprodução da elitização que o Esporte produz, em especial o de rendimento.

Pare um pouco para meditar. Qual a razão de aceitarmos esta situação quando todos nós somos corpo e pelo corpo estabelecemos relações com o mundo, com os outros e outras? Qual seria a razão de aceitarmos que nossos netos não participem ou sejam efetivamente respeitados e atendidos em suas limitações nas aulas de Educação Física Escolar? Você aceitaria que seu filho que apresentasse dificuldades com a língua portuguesa fosse abandonado pelos professores? Certamente que não.

Afinal, é na escola que devemos ter acesso ao conhecimento nas mais diferentes áreas do conhecimento humano. Qual a razão de repetirmos por gerações as mesmas atividades elitistas nas aulas de Educação Física?

Por outro lado, todos “tagarelam” sobre a necessidade do envolvimento da criança e do adolescente com os esportes, não é? Mas quais as alternativas que lhe são oferecidas? As mesmas durante os 12 anos da educação básica (9 do ensino fundamental e 3 do ensino médio) sendo que no ensino médio as aulas são substituídas ou eliminadas por não serem matérias que aprovam no vestibular. Passados os anos, vemos a paupérrima condição corporal de nossos jovens adultos, adultos, idosos que encontram inúmeras e ás vezes insuperáveis dificuldades para a relação com o seu próprio corpo. Você já ouviu falar de “personal trainer” para língua portuguesa ou matemática? Seria ilógico que a formação assim exigisse de nossos alunos que concluem o ensino médio, certo? Mas, qual a razão de termos que recorrer a um desses profissionais quando o objeto de conhecimento e gestão é o nosso próprio corpo?

Resumindo, para hoje, Educação Física Escolar não é a prática pela prática dos esportes hegemônicos. Certamente, também não é a formação de equipes representativas na e da escola. Há muito mais que dialogar com as crianças e adolescentes quando a questão é a corporeidade. Vamos pensar um pouco mais sobre essa questão no nosso próximo momento de provocação do seu pensar. Vamos!?

 

  • Professor Doutor Daniel Carreira Filho – Diretor Acadêmico da Faculdade Futura

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