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Dimas Casemiro: -Dois são denunciados pelo MPF por morte de desaparecido político votuporanguense

 

Exame de DNA por especialistas na Bósnia, só foi possível concluir a identidade do rapaz em fevereiro deste ano, quase 47 anos após o assassinato de Dimas Casemiro.

 

 

Um sub-oficial do Exército foi denunciado pelo Ministério Público Federal no assassinato do jovem militante político morto em abril de 1971 pela Ditadura, Dimas Antônio Casemiro, nascido em Votuporanga, ele foi dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes organizado no começo da década 60. Além do militar, outro denunciado nesta-quinta feira (05) por falsidade ideológica é um médico que omitiu informações no laudo necroscópico da vítima, identificado quase 47 anos depois.

O procurador da 1º Vara Federal paulista, Andrey Borges de Mendonça entendeu que os dois réus também contribuíram para o sumiço de Casemiro ao enterrá-lo como indigente num cemitério no bairro de Perus da Capital e por isso também vão responder ao crime de ocultação de cadáver.

Quatro anos depois em 1975 os restos mortais da vítima foram exumados e enterrados numa vala clandestina, aberta em 1990, que ficou conhecida como a Vala de Perus. Passado todo esse tempo após a identificação um resultado conclusivo, de um exame de DNA realizado por especialistas na Bósnia, só foi possível em fevereiro deste ano, quase 47 anos após o assassinato.

“O homicídio DIMAS foi cometido por motivo torpe, consistente na busca pela preservação do poder usurpado em 1964, mediante violência e uso do aparato estatal para reprimir e eliminar opositores do regime e garantir a impunidade dos autores de torturas, sequestros e ocultações de cadáver”, afirma o procurador Andrey Borges.

LUTA ARMADA

Assim como foi nomeado o MRT era um Grupo de oposição à ditadura Movimento Revolucionário Tiradentes, apontado pela repressão como responsável pelo assassinato do industrial Henning Albert Boilesen, presidente da Ultragás, dirigente da Fiesp e um dos principais financiadores da Operação Bandeirante, o primeiro aparato extraoficial criado pela repressão para eliminar opositores.

O órgão foi posteriormente substituído pelo Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna).

No depoimento ao MPF, uma testemunha sobrevivente apontou que o militar acusado integrava uma equipe de busca do Doi-Codi, em um carro descaracterizado com outro agente da repressão.

Ela foi forçada a participar de tal ação pois já havia estado no “aparelho” (imóvel usado por militantes políticos clandestinos) e poderia, na visão dos militares, ajudar os agentes do Doi a localizar a casa de Dimas.

Colaborou: Guilherme Ramos

 

 

 

 

 

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