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Agir Com Prazer

João Fidélis de Campos Filho

Outro dia ouvimos uma interessante palestra de um cientista inglês que falava sobre os benefícios do humor no mundo moderno. Mostrou as áreas cerebrais que são estimuladas pelo riso, e as descargas emocionais que acompanham o prazer de uma piada de bom gosto. Digo de “bom gosto” porque nem sempre o humor é usado de maneira politicamente correta, pois em muitos casos serve para reforçar certos estereótipos e preconceitos, infelizmente ainda muito presentes em nossa sociedade. Explico: há muito racismo, machismo e discriminação embutidos nas piadas. Isso precisa acabar. Até que ponto chamar determinado artista de homossexual ou dizer que a torcida de certo time é composta de homossexuais não é uma clara alusão a um preconceito embutido na nossa sociedade?

Uma breve olhada na programação da TV brasileira dá uma radiografia exata do caráter apelativo e preconceituoso dos programas humorísticos atualmente. Com raras exceções prevalece o ironismo forçado, a homofobia e a disseminação da ideia de que as minorias não fazem parte do grupo dos “normais”. Uma boa exceção é o Zorra Total que evoluiu do humor ingênuo/pastelão para crítica ácida dos personagens de nossa política corrupta. Na outra ponta do iceberg está A Praça É Nossa, que até foge  ao padrão interpretativo de uma análise, pois seus textos são excessivamente popularescos e de gosto duvidoso. Mas há programas até mais inteligentes embarcando nessa onda de agradar o povo e conquistar audiência sem uma autocrítica séria do que estão propagando. É o caso do Fantástico que. por ser uma revista diversificada tem passado muitas reportagens de cunho sensacionalista ou piegas. Neste âmbito a TV perde sua principal essência que é transmitir a boa educação e os bons costumes. É claro que estamos tratando aqui exclusivamente da tv aberta, que atinge a maioria dos brasileiros. A tv a cabo está em num nível bem superior.

No fundo percebe-se que uma das coisas mais difíceis no terreno da arte é fazer humor. Poucos conseguem imprimir o tom, o ritmo correto e a criatividade fundamentais para o riso saudável.

Segundo o cientista citado (docente de Oxford) o humor gera uma descarga instantânea de prazer. E o prazer teve um importante papel na sobrevivência da espécie humana, porque representa um grande estímulo para a manutenção da vida. Ele citou que ratos que aprenderam alguma atividade prazerosa mudaram drasticamente o comportamento e consequentemente viveram mais. De maneira idêntica qualquer ser humano que inicia um novo aprendizado, recebe um impulso energético que o revigora e o mantém motivado para a vida. Por isso também no campo educacional a técnica do elogio dá mais resultado às vezes que a simples repreensão porque, como animais racionais, sentimos necessidade constante de motivação para as atividades diárias ou para alcançar objetivos mais ambiciosos.

No entanto o prazer não pode ser confundido com vício. O vício é o extremismo do prazer e a rota certa para a perda total das rédeas da existência. O mundo está repleto de exemplos de pessoas que enveredaram pelo caminho do vício e da compulsividade e, que quando conseguem se recuperar descobrem que perderam um tempo precioso de suas vidas tolamente, causando sofrimento a si e aos outros.

jofideli@gmail.com

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