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Está tudo certo

Denize do Nascimento Gonçalves –

Recentemente, em viagens de avião, constatei o quanto que a frase: “Está tudo certo.”, faz sentido em nossa realidade político-econômico e social.

Quando olhamos para as ações das classes menos favorecidas e reclamamos de determinadas atitudes infelizes, socialmente falando, batemos no peito acreditando que estamos isentos de erros e críticas.

No entanto, se verificarmos atitudes nossas do dia a dia poderemos concluir que somos ainda um povo em desenvolvimento, quer ver só?

Em viagens de avião costumamos receber balinhas de comissários dando boas vindas aos clientes. É uma recepção linda de se ver. Ao final do voo, sem muito esforço, observamos uma quantidade absurda de papeis que jogamos no chão a fim de não sujarmos nossa bolsa ou não termos o trabalho de colocá-las nas sacolinhas que ficam à disposição bem à nossa frente. Os papeis das boas vindas que transformamos em lixo e que alguém terá que abaixar-se para recolher para nós!

Em frente às escolas particulares de nossa própria cidade podemos flagrar ações nossas parando em fila dupla com o álibi de que  já estamos saindo porque os nossos filhos vão entrar rapidinho no carro.

Ao arrancarmos com o carro, sequer, muitas vezes, deixamos os que estão estacionados, dando seta para sair, entrarem na nossa frente.

Quantas vezes ainda atiramos papéis e latas de refrigerantes pela janela do nosso carro de marca renomada e conforto exuberante, sujando as vias públicas a fim de não sujarmos o nosso veículo?

São tantas as ações do dia a dia que faltamos com o respeito, a educação e a ética com o próximo e com a vida pública, que acabamos por nos colocar na berlinda a fim de que nos questionemos: por que vivemos num país de tanta corrupção, por que há tanta gente lesando os bens que deveriam ser o alicerce de uma sociedade menos desigual, mais humana e mais justa?

A resposta não é tão difícil: somos ainda muito egoístas. Primeiro nossos interesses, nossos gostos, nossas vontades, nossa autoridade, nosso nome, nosso poder. Primeiro o nosso carro, a nossa casa, depois disso, é o que está fora, não é nosso, não é nosso dever, não é nossa responsabilidade.

Realmente, está tudo certo, pois se falhamos nas pequenas coisas relacionadas ao respeito às coisas públicas, nas grandes falharíamos muito mais.

Somente uma educação que vai além dos bancos escolares do silêncio e do esforço imenso de encher a cabeça das crianças de coisas que nunca mais irão usar depois do vestibular, a educação moral formará cidadãos preparados para o poder, porque como já disse um pensador, “se quiseres conhecer uma pessoa, dê poder a ela.”.

 

Denize do Nascimento Gonçalves

Psicanálise Clínica

É colaboradora deste Diário

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