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Ser bom ou ser burro?

Por Orlando Ribeiro

Goethe dizia que o nosso destino era uma árvore frutífera no inverno, seca, sem folhas e sem frutos. Ninguém poderia dizer que aqueles galhos ainda ficariam verdes, cheios de flores e, depois, de frutos. Após o inverno, será que os ramos que temos em nós voltarão a florir? E quais serão perdido para sempre? E quanto tempo durará o inverno em nós? No coração de muitos, parece durar eternamente. Mas, no fundo, confiamos…confiamos que alguém ainda nos irá trazer uma nova primavera, com flores nas árvores e pássaros comendo frutos nas frescas manhãs. Na verdade, precisamos afugentar o frio com que a dureza da vida tenta congelar nosso coração e permitir que o amor aqueça nosso espírito para não permitir que a dor se instale definitivamente em nós. Todos temos momentos difíceis na vida, mas é preciso resistir à tentação da fuga. Não adianta correr de nossos problemas, é preciso resolvê-los. Saber com quem podemos contar, pois nem todos são dignos de nossa confiança.

Que fique bem claro, todavia, que todos precisam de amor, construímo-nos em relação, num diálogo marcado pelo amor, pela dádiva, pela tarefa de realizar um projeto de vida em que o outro se constitua como referencial absoluto. Para tanto, é preciso ser bom. Porém, num mundo de tantas falsidades e traições, de choro e ranger de dentes, qual a diferença entre ser bom e ser burro? Para chegar à resposta, recorri a um texto antigo, na verdade um pequeno trecho do livro sagrado do Talmude, conjunto de leis e tradições religiosas do judaísmo. É assim: “o ferro é forte, mas o fogo funde-o. O fogo é forte, mas a água apaga-o. A água é forte, mas as nuvens fazem-na cair. As nuvens são fortes, mas o vento arrasta-as. O vento é forte, mas o homem controla-o. O medo é forte, mas o sono fá-lo esquecer. O sono é forte, mas a morte supera-o. A morte é fortíssima, mas a bondade sobrevive-lhe.”

Que diferença vai de bom para burro? Tudo é uma questão de perspectiva e aí a diferença se torna grande. Ao perdoar indistintamente, até aqueles que nos fazem mal, que nos magoam, que nos ferem, ao retribuir com flores os espinheiros que nos presenteiam, transferimos os problemas para eles e ficamos com nossas mãos limpas, mais até que limpas, pois “fica sempre um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas”. Um monge indiano, num livro de Abbé Pierre, fala o que é ser bom: “O que é? Oh! Reparai numa mãe. O seu filho está a sofrer? Neste caso, ela não tem mais descanso; durante o dia, durante a noite, ela vai, ela luta, ela quer fazer tudo, até morrer ela própria, se for necessário, feliz até por morrer para que ele não sofra mais. Uma verdadeira mãe, isso é a bondade. Então, para sermos bons, lutemos por chegarmos a ser cada um como se fôssemos a mãe de todos os seres humanos que vivem nesta aldeia, na aldeia inteira da terra inteira.”

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