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Lubi Prates e Daniel Minchoni bateram um papo com o público do Festival Literário de Votuporanga (FLIV) a respeito de seus diferentes formatos de poesia

Poesia, Slam e Tradução

Mariana Biork –

O que é poesia? Parece uma pergunta fácil de ser respondida, tamanha sua ingenuidade. Como delimitar algo que não tem limites? Como categorizar a poesia, quando essa ganha diferentes sentidos, atingindo uma subjetividade que dificilmente poderá ser dimensionada? Responder a esse questionamento não é tarefa fácil nem mesmo para os mais hábeis artistas e poetas, que vivem rodeados pela linguagem poética e os múltiplos significados que dela podem emergir.

Esse foi o assunto principal do bate-papo “Poesia, Slam e Tradução”, realizado na terça-feira, no Cinema Cultural, durante o Festival Literário de Votuporanga. Com mediação de Reynaldo Damazio, a poeta Lubi Prates – autora dos livros Triz, Coração na Boca e De lá/Daqui e editora das revistas literárias Parênteses e Adelitas – e o poeta, palhaço e diretor de arte Daniel Minchoni, um dos fundadores do grupo Poesia Esporte Clube (PEC) e do selo Jovens Escribas, pelo qual lançou o livro Escolha o Título, em coautoria com a ilustradora Eveline Gomes, devanearam sobre suas escritas, pensamentos e situações que os movem e que fazem deles escritores da vida.

Com uma forte carga de vivências pessoais, o trabalho de Lubi é marcado pelo seu estudo sobre o papel da mulher em nossa sociedade, especialmente no mercado editorial. “Tudo começou com a minha aproximação com o feminismo, há uns dez anos atrás, e sempre questionei o lugar da mulher na literatura e no mercado editorial, como era difícil ver mulher indo em feiras literárias e serem citadas como escritoras e poetas. Não só ver a questão da mulher mas também a racial. Eu comecei a observar esse movimento e ver como ele explica a sociedade em que vivemos, o mercado editorial é um espelho disso.”

Para disseminar sua palavra, a poeta criou então o curso “Quatro Séculos de Mulheres Silenciadas”, buscando resgatar as raízes de mulheres que produziam, mas não eram creditadas. “Em cada encontro eu trabalhava um século e fazia o resgate de poetas que ninguém conhece e que simplesmente foram silenciadas por serem mulheres. Isso aconteceu muito no século 19 de mulheres publicarem, mas não serem creditadas.”

Seu terceiro livro, um corpo negro, foi contemplado pelo PROAC com bolsa de criação e publicação de poesia e será lançado em 2018. O livro partiu de suas experiências com a oficina de criação poética para negras, que ela ministra na Casa das Rosas.

“A história da mulher negra no Brasil, desde a escravidão, é marcada por silenciamentos. Na oficina, eu apresento brevemente o que é a Literatura Afro-brasileira e algumas poetas negras e, propondo exercícios de escrita poética que usem as experiências pessoais, com recorte de raça e gênero, como tema central”, comenta.

A questão racial e a forma como a questão atravessa a poeta também é transformador em seu trabalho. “Todo mundo me via negra, mas eu não. A partir do momento em que eu me ‘descobri’ uma mulher negra, e como isso afetava a minha posição no mercado editorial, o meu trabalho, a minha visão de mundo mudou. É algo que te atravessou a minha existência e que não pode mais ser mudado.”

Além de diversas participações em antologias nacionais e internacionais, Lubi participou da organização da GOLPE: antologia-manifesto, um grito de diversos artistas contra o golpe político que sofreríamos no Brasil. É sócia-fundadora e editora da nosotros, é editora da revista literária Parênteses e participa do comitê editorial do Selo CAROLiNA, da editora feminista Linha a Linha.

Slam, um novo jeito de fazer poesia

Experimentador da palavra e formador da cultura, Daniel Minchoni usa da rima para ser ouvido. Com a poesia, ainda desconhecida para alguns, que outros até acham que se assemelha com uma batida de hip hop, seu desejo era transformar as rimas em um esporte nacional.

Foi assim que ele criou o “Poesia Esporte Clube”, em 2002, um projeto de experimentação poética e sarau, realizado na Casa da Ribeira. “Quando eu conheci o slam, eu senti vontade de disseminar a energia que a rima causa nas pessoas. As possibilidades da poesia me interessam muito, dela chegar através de um vídeo ou uma fala, essa oralidade sempre pautou minha pesquisa.”

Os slams são campeonatos de poesia. Normalmente, os participantes têm até três minutos para apresentarem sua performance – uma poesia de autoria própria, sem adereços ou acompanhamento musical. O texto pode ser escrito previamente, mas também pode haver improvisação. Não há regras sobre o formato da poesia.

Ele foi criado nos anos 1980 em Chicago, nos Estados Unidos, mas só chegou ao Brasil mais tarde, nos anos 2000. O campeonato ZAP, Zona Autônoma da Palavra, foi o primeiro deles, trazido pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, um Coletivo Paulistano de Teatro Hip-Hop. Atualmente, existem em torno de 30 slams como o “ZAP” no Brasil.  São Paulo tem o maior número de slams do país, como o Slam Interescolar e o Slam da Guilhermina, bairro da zona leste da cidade.

Entretanto, após muitos anos, o formato já não o agradava como antes. Foi então que Daniel teve a ideia, em 2011, de criar o “Menor Slam do Mundo”, inspirado nos slams tradicionais, mas que os poetas têm apenas 10 segundos para falar seus poemas. “Mesmo assim tinha gente que falava ainda mais rápido, então criamos poemas de até 3 segundos, depois, a gente criou o nano menor slam do mundo, de 1 segundo. É uma brincadeira para exercitar a mente.”

Hoje, o poeta faz parte do Slam do Corpo, um projeto que reúne a experiência de três coletivos sobre poesia, cidade e performance: Corposinalizante, grupo que estuda relações entre a Língua Brasileira de Sinais e poesia, ZAP!SLAM, primeiro slam de São Paulo, coordenado pelo Núcleo Bartolomeu de Depoimentos e Sarau do Burro, um espaço diverso coordenado por Daniel .

“Toda apresentação é feita por duplas de poetas – um surdo e um ouvinte – que criam e apresentam textos nas duas línguas simultaneamente [LIBRAS e português]. Na performance, às vezes as línguas se diferenciam, cada uma acontece em sua gramática própria, mas em outras vezes, se entrecruzam. A intenção é uma língua não subjugar a outra, nenhuma das línguas é a língua mandante, os dois poetas são uma pessoa só.”

 

 

 

 

 

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