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Novamente a educação básica: sem qualidade

Daniel Carreira Filho *

Diariamente somos surpreendidos com atos de nossos políticos que contribuem, sistematicamente, para a deterioração de nossa medíocre educação básica. Muitos desses senhores responsáveis por mensagens cíclicas eleitoreiras sequer conhecem a realidade do cotidiano escolar ou buscam apropriarem-se de saberes necessários à proposição de medidas que efetivamente transformem e valorizem a Educação Brasileira.

Propugnar pela educação em tempo integral, que está na moda nos últimos discursos, sem que sejam consideradas as diferenças regionais, as peculiaridades de cada comunidade, os anseios das crianças, adolescentes e pais ou responsáveis é, uma vez mais, discurso descomprometido com a Educação. O comprometimento não passa de um convite à mediocridade educativa focada exclusivamente na construção da mão de obra operária subjugada aos interesses econômicos empresariais. Debruçam-se sobre as necessidades da matemática, da formação técnica para o mercado, falam em necessidade de formação de mão de obra especializada e de atender aos avanços técnicos e tecnológicos. Afinal, não somos um país do quarto ou quinto mundo em termos de infraestrutura e tecnologia?

E quando provocados sobre a necessidade da formação humanística, indispensável à uma sociedade transformadora, esquivam-se com o argumento de que a formação do jovem não necessita de História, Geografia, Artes, Filosofia, Sociologia e Educação Física, por exemplo.

De fato, não interessa formar um cidadão crítico que seja capaz de analisar a realidade onde se insere, compreender o seu passado e alinhavar perspectivas para o seu próprio futuro. Saber interpretar as questões da geopolítica e associar aos fenômenos econômicos a ela atrelados não é necessário ao operário de uma máquina na produção de bens de consumo. O cidadão que conhece fundamentos da Filosofia e Sociologia será um a mais a questionar as mesmices de longas décadas de obscurantismo a que foram entregues os “filhos da pátria”.

Artes, ora as Artes. Não há qualquer razão para muitos dos políticos colocados em postos de comando da educação brasileira para incentivo à cultura e às artes (aqui consideradas todas as possibilidades e não como tentam denegrir este componente curricular lhe atribuindo a alcunha de “artesanato”). Será que a estatua de Davi de Michelangelo seria execrada como estão sendo algumas manifestações artísticas hoje em dia?

A corporeidade mediada pelo componente curricular Educação Física que reproduz a elitização, valoriza apenas os hábeis, relega a maior parte dos alunos à própria sorte perpetuando o abandono, ou não? Vemos competições esportivas entre escolares sendo valorizadas, que são atividades para poucos (1% da população pode atingir o estágio competitivo), em detrimento dos que mais necessitam das experiências da cultura corporal de movimento.

A escola, aquela que deveria desenvolver as potencialidades de todos e todas, está abandonada. Basta ver os resultados dos recentes exames realizados em nossa terra. Mas, hoje, tivemos uma esperança. De um comentário que ouvimos nesta semana veio a lucidez. A escola somente mudará o resultado de suas ações se promover o acolhimento de crianças e adolescentes. Não nos faltam bons professores. Nos faltam seres amorosos e acolhedores que façam ressurgir o amor e o prazer pelo conhecimento e pela cooperação. Esta foi a diferença apresentada pelas escolas que deram certo em Pernambuco, Goiás e outros “pequenos” da Terra Brasilis.

E todos nós vamos nos calar e consentir com as mesmices? Nós concordamos com uma escola de baixa qualidade para manter o “gado marcado e povo sofrido”, será?

 

  • Daniel Carreira Filho – Diretor Acadêmico da Futura de Votuporanga

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