Powered by free wordpress themes

Home / Opinião / Um pouco mais sobre a corporeidade nas escolas

Powered by free wordpress themes

Um pouco mais sobre a corporeidade nas escolas

Daniel Carreira Filho –

Em um texto que tivemos a oportunidade de contar com a publicação neste espaço democrático de exposição de ideias dialogamos sobre as questões básicas da corporeidade de nossas crianças e adolescentes, nos foi possível iniciar alguns posicionamentos sobre o componente curricular Educação Física.

Neste texto desejo apresentar algumas questões que, em nosso entendimento, mereceriam a atenção de pais, professores e os próprios alunos.

Vamos aos questionamentos.

Ao longo de 12 anos do ensino básico, considerados o ensino fundamental e médio, as crianças e adolescentes foram sujeitados às práticas corporais de basquetebol, voleibol, handebol, futebol de salão e queimada, não é esta a memória dos adultos que leem estes escritos?

Será que não existiriam interesses outros que pudessem merecer a apresentação e vivência por parte das crianças e adolescentes? As práticas da cultura corporal de movimento estão muito, mas muito, além destas paupérrimas ofertas a que estiveram submetidos, por anos, nossos amigos adultos e idosos de hoje, não é?

Um segundo ponto, não menos importante, são as formas de ofertas ou desafios motores que são apresentados aos alunos nesses 12 anos. As mesmas condições de práticas da cultura corporal são apresentadas aos alunos, dos baixinhos aos mais altos, dos magrinhos aos obesos, dos tímidos aos audaciosos, dos mais hábeis aos menos hábeis e etc.. Não houve, como em muitas escolas ainda não há, a apresentação de atividades que sejam possíveis aos diferentes seres humanos em atividade. Um exemplo que pode referenciar esta posição é, exatamente, a altura do sarrafo do salto em altura. Em que altura deve ser colocado para uma turma da quinta série escolar, por exemplo? São, em média mais de 30 diferentes pessoas, meninos e meninas, de todas as alturas, pesos e competências que deveriam merecer a atenção individualizada, não é? Mas, o modelo do esporte institucionalizado que invadiu as escolas é aquele, sarrafo paralelo ao solo em uma só determinada altura. A altura que muitos dos alunos e alunas não terão a oportunidade de ultrapassar sem derrubá-lo. Se o colocamos alto demais, desmotivamos os menos hábeis, se o colocamos baixo demais, desmotivados estarão os mais hábeis. Enfim, quando educamos corporalmente nossos alunos devemos, por obrigação de respeito à diversidade, oferecer alternativas que atendam às características, necessidades e interesses de todos nossos educandos. Não é?

A aula de Educação Física Escolar, aquela que é, sistematicamente, confundida com lazer ou como uma brincadeira sem finalidades formativas, é um campo repleto de diversidade que, resumidamente, exige dos professores ou professoras alta competência para a adequação dos desafios motores a cada um de seus alunos ou alunas.

O não atendimento às estas características é uma das razões pelo abandono por parte das crianças e dos adolescentes das práticas da cultura corporal de movimento em suas vidas. A forma competitiva que se estabeleceu se encarrega de aumentar os seres humanos que vão às arquibancadas ou aos sofás para assistir as práticas esportivas. Aumentam os sedentários, o nível de obesidade, o desconhecimento sobre as inúmeras formas de apropriação de práticas corporais que lhes sejam possíveis, cativantes e prazerosas. Mas, muitos ainda acreditam que a escola deve formar equipes representativas para os campeonatos escolares para poucos e submeter os que mais necessitam do movimento ao esquecimento.

E, finalmente, ainda vivemos com índices elevadíssimos de sedentarismo em nossa sofrida sociedade. Até quando?

 

Daniel Carreira Filho – Diretor Pedagógico da Faculdade Futura

 

Além disso, verifique

Excelência na Educação

Luis Fernando Budin Miceli – O sistema educacional público em vigência, nos moldes e métodos …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Copy Protected by Chetan's WP-Copyprotect.