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Sensibilidade e sensatez

Orlando Ribeiro*

Ouvi um comentarista de TV durante o desfile das escolas de samba, dizer que “o carnaval é uma apologia à beleza”. De fato, é quase impossível acreditar que o show de cores, imagens, efeitos especiais e, principalmente, luxo e ostentação, acontece no mesmo país onde, horrorizados, assistimos ao estourar de barragens e outros “que tais”. Aparência é o que importa? Deve ser que sim, o que se explica pelos sacrifícios de tanto suor e esforço nas academias. Entretanto, me permitam lembrar, os gregos da era clássica, diziam que quem quiser ser realmente bonito, necessitava antes de ser BOM. Eles defendiam que o homem, para atingir sua plenitude, teriam de combinar Beleza e Bondade, aliás, mesma posição defendida pelo herói Dom Quixote de La Mancha, criado pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes, que declarava que não existe beleza separada da bondade.. Anittas, Pablos, Brunas, Valeskas, Danielas, Cláudias, Fábios, Neymares, Josés e tantos outros atores, cantoras, jogadores e modelos, todos aparentemente tão belos nas fotografias e vídeos, só que não. É que a melhor parte da beleza é aquela que não dá para ser fotografada e não há como as TVs e revistas nos mostrarem. O que vemos, quase sempre, nada mais são do que folhas de papel e reflexos coloridos, pois que a formosura espiritual não é passível de ser captada pelas lentes das modernas câmeras HDs.

Para entendermos a verdadeira alma humana e o real sentido da vida é preciso que sejamos pessoas sensíveis. Não – discordariam alguns, o que falta ao homem de hoje é sensatez, diriam. Cometemos atos tão horríveis, tão nojentos, tão insensatos. Está bem, então nem para vocês e nem para mim, vamos dizer que o que nos falta é sensatez e sensibilidade. Um sábio sentenciou que as pessoas, em geral, são sensatas, mas bem poucas seriam sensíveis, pois a sensibilidade é uma qualidade do coração, enquanto que a sensatez é atributo da razão. Um homem sensível é aquele que traz em si uma inefável ternura, com a qual vivencia os relacionamentos humanos. Por um lado, os sensatos são indivíduos lógicos e corretos, o que os torna pessoas duras e cobradoras, que julgam sem piedade e que não perdoam facilmente ao próximo. São bons obreiros, só que suas ações, embora úteis no afã diário do trabalho, os transformam em gente de difícil convivência, uma companhia nem sempre agradável. No fundo, não são alegres e não conseguem dançar ou se alegrar, pois não apreciam a vida com carinho.

Já os sensíveis, por seu turno, são mais condescendentes. Eles entendem que o significado da vida passa por conseguir viver e sentir o sabor das coisas pequenas, o que requer sensibilidade e permanente gratidão. William Shakespeare escreveu que “uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma; uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda”. Enfim, como definiu Rabi Nahman de Bratislava, o essencial do prazer reside no coração ( e não na razão) e nem que o homem viva no paraíso, isso lhe causará prazer se não tiver um coração sensível. Viemos ao mundo para ser felizes e não para termos razão.

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