Em entrevista ao Diário, a dona de casa explica que ganhou o animalzinho de seu genro no dia 6 de julho, após uma viagem que ele fez para Tangará da Serra, cidade localizada na região sudoeste do Estado de Mato Grosso também conhecida como “Médio Norte” a 240 quilômetros da capital Cuiabá. Aos 84 anos, revela que a relação com o pequeno pet é marcada por certa paixão. “Ele é muito mansinho. Deixo-o dentro de casa, na maior parte do dia. Quando estou sentada no sofá, coloco ele perto de mim”.
Outro local do lar que gosta de estar, segunda a dona, é no quintal ao lado do pé de pinha. Nele, o animal percorre a extensão do tronco da árvore, uma maneira de queimar algumas das calorias adquiridas em seu variado cardápio. O “Gigante” é adepto a frutas e também a uma boa dose de carboidratos. Entre seus alimentos preferidos estão banana, biscoitinhos, pão umedecido com água e, principalmente, uma boa laranja docinha, seu alimento favorito.
Questionada sobre o tal cultivo – um tanto quanto estranho e passível de estranhamento – a senhora explica que teme seu desaparecimento e, por isso, o mantém dentro de baldes no período da noite e também no interior da casa, em momentos que está fora. “Acho que ele não quer ir embora, mesmo porque em todo o lugar que o levo, ele fica quietinho”.
Depois do último dia 6, a esquina da rua Dr. Augusto Alves dos Reis com a Tupinambás nunca mais foi a mesma. O local é considerado um dos principais pontos turísticos de Valentim Gentil. Benedita conta que recebe de seis a dez pessoas, em média, em sua maioria, adultos, o que na opinião da dona é uma “surpresa”.
“Gigante” divide a atenção com outros dois animaizinhos: o cachorro “Bolinha” e o gatinho “Nini”. A obrigação, portanto, do besouro de dividir as atenções não traz maiores problemas para a família animal de Benedita. A senhora revela que, até no momento da alimentação, não existe desentendimentos, pois cada uma das criações come o seu alimento de forma fraterna. (Colaborou Victor Grieger)
Qual a razão de tanta adoração?
Durante entrevista à reportagem, a aposentada não esconde o afeto que tem pelo besouro, apesar do pouco tempo de relação que teve com o animal. A equipe do Diário procurou a psicóloga Eliana Corrêa Vilches para saber os motivos que levam à criação de laços afetivos com animais a exemplo do caso da aposentada. Confira a entrevista abaixo.
Diário: Quais os motivos que levam ao apego excessivo com animais?
Eliana: São vários os motivos que levam uma pessoa a substituir o carinho e o amor de um ser humano para um animal. Isso pode acontecer no caso de uma mulher que ficou viúva, um casal que não pode ter filhos ou por motivos que levam à solidão ou o esquecimento da pessoa por entes queridos. Então, a pessoa transfere para o animal todo o seu carinho, o seu amor e o seu companheirismo.
O carinho excessivo pelos animais pode levar as pessoas a fazer coisas de humanos com os animais, como promover casamentos, fazer book, entre outras coisas. Estas atitudes, na grande maioria das vezes, não são entendidas e compreendidas pelos demais.
Relacionar-se com animais não é ruim. Agora substituir todos os vínculos afetivos para ele também não é bom, pois todo exagero acaba acarretando em algum tipo de prejuízo de ordem psicológica.
Diário: Estabelecer afeto com animal de estimação é ruim?
Eliana: Não é ruim. Pelo contrário, em alguns casos, é até benéfico. É prejudicial apenas quando as pessoas passam a achar que só o convívio dos animais lhes basta ou que podem encontrar no animal tudo que teria em um relacionamento social com outras pessoas.
Diário: E no caso da utilização de animais no tratamento psicológico?
Eliana: Há a utilização terapêutica de cães no tratamento de crianças que sofrem com problemas psicológicos, de relacionamento social, de afetividade, de aprendizagem entre outros. Esses animais facilitam o convívio da criança, proporcionam um alívio imediato para a pessoa em tratamento e proporcionam melhoras nos quadros de ansiedade, de estresse, de hipertensão, da auto-estima, da comunicação e da sensibilidade. (V.G.)
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