Orlando Ribeiro
Que levante a mão quem nunca se sentiu constrangido numa festa de casamento, na hora da passagem da famigerada “gravata do noivo”? Ou da versão feminina, o “sapato da noiva”? O corte da gravata surgiu como um pretexto para se angariar recursos financeiros para a viagem de lua-de-mel ou para a primeira compra no supermercado. Se, para os nubentes, este expediente é bem vindo, contudo, essa prática nem sempre é vista com bons olhos por alguns convidados, pegos desprevenidos e sem dinheiro para uma pequena contribuição e que se sentem envergonhados quando todos se juntam ao seu redor, brandindo a tesoura e a gravata como se fossem tacapes. Como Mestre de Cerimônias, aconselho para que os noivos, seus familiares ou os amigos mais íntimos, atentem para um fato simples: quando convidamos alguém para uma celebração, é porque queremos ter essas pessoas queridas por perto, mas para compartilharem este momento especial com a gente e não para ajudar a pagar a festa.
O que eu quero dizer, simplesmente, é que ninguém pediu para você se casar e, por isso, os convidados não podem e nem devem bancar qualquer tipo de despesa. E não me venha com essa história de que é brincadeira, afinal, se o dinheiro não é devolvido, é coisa muito séria. Até compreendo que se é possível receber ajuda, entretanto, sem que isso seja obrigatório ou constrangedor, parecendo muito mais exploração. Essa 'brincadeira' tem se tornado extremamente deselegante e é a causa maior de muitas “fugas” de convidados, sem dizer que é a principal razão da lotação dos banheiros masculinos. Pode até que alguém levante justificativas plausíveis para isso; porém, é sempre bom que noivos, familiares e amigos se lembrem que, no mais das vezes, os convidados já gastaram com os presentes e roupas.
Desde criança fui ensinado que, para uma brincadeira ser realmente engraçada, todos os participantes devem estar de pleno acordo com as regras. Sinceramente, coagir alguém a comprar um pedacinho de gravata do noivo, não me parece nem um pouco divertido, sem contar que a “brincadeira”, em alguns casamentos, chega a verdadeiras extorsões, do tipo “só acima de dez reais”, vaticínio que é anunciado em meio a apitos e uma desagradável sinfonia de garrafas pets cheias de pedras. Também acho deprimente aquele cortejo estranho, com umas pessoas arrastando o noivo feito um cachorrinho, peregrinando de mesa em mesa. Claro que há convidados que compram o retalho com o prazer genuíno de “ajudar” os noivos; mas, venhamos, isso é coisa que poderiam fazer sem que houvesse a necessidade da abordagem. Desculpem a franqueza, mas cortar gravata pra recolher dinheiro me parece mais coisa de festa beneficente.
Orlando Ribeiro
Professor da Escola Dinâmica/Coopevo e Diretor da Divisão de Eventos e Cerimoniais da Prefeitura de Votuporanga
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